“Precisamos de jornalistas científicos” (28 ABR 16)

O Bar Sé La Vie, em Braga, encheu para mais uma sessão do PubhD UMinho. Três investigadores falaram dos seus projectos de doutoramento e reclamaram mais atenção: da sociedade e dos media.

Se para um leigo já é difícil compreender o jargão científico e os cientistas, a tarefa fica muito mais complicada se, a par disso, aquilo que lê nos jornais e na internet, vê na televisão ou ouve na rádio, não for preciso e claro. “Precisamos de jornalistas científicos”, afirmou Sandra Costa, na última sessão do PubhD UMinho. Para esta engenheira electrónica, que viu recusado um financiamento do seu projecto de continuidade, apesar dos resultados muito positivos que alcançou – ela trabalha com robôs humanóides na interação com crianças que sofrem de PEA (perturbação do espectro do autismo) –  “iniciativas de divulgação de ciência junto dos cidadãos  [como esta do PubhD] são fundamentais para se combater a profusão de notícias sem rigor e que induzem o público em erro”.

O primeiro interveniente da noite, André Carvalho, também tocara no assunto: “estas iniciativas ajudam a compreender melhor a ciência e a desmistificar o que parece muito complexo”. Engenheiro industrial e investigador do MIT Portugal, não se conforma com a popularidade que atingem certas notícias enganosas sobre alegados factos científicos. Este doutorando está a iniciar o seu projecto de investigação concentrado no estudo da cultura organizacional e pretende propor modelos de avaliação da excelência “centrados na adaptabilidade e não na mudança”.

A estudar neurociências na Escola de Ciências da Saúde, na Universidade do Minho, Madalena Esteves aproveitou ao máximo os dez minutos disponíveis para falar da sua investigação, em fase inicial, e surpreender o público presente com amostras de dispositivos e o cérebro de um rato mergulhado em formol. “Não podemos estudar tudo o que queremos com seres humanos e partimos para as cobaias” explicou “no nosso estudo estamos a avaliar a importância da lateralidade [dos hemisférios cerebrais] e eventuais relações com a impulsividade ou aspectos relacionados com a comunicação]. No final do projecto espera obter resultados “que permitam contribuir para o tratamento de algumas doenças e perturbações”.

O público envolveu-se nos debates, e a sala repleta – mais de 60 pessoas presentes – demonstrou o interesse que existe em torno da divulgação de ciência e do trabalho científico.

O PubhD (jogo de palavras entre “pub” e “Ph.D.”/doutoramento) é um movimento internacional que teve origem em Inglaterra (2014) e está em expansão. Chegou a Portugal (Lisboa) em 2015 e por iniciativa do STOL – Science Through Our Lives, da UMinho, começou a realizar-se, alternadamente, nas cidades de Braga e Guimarães. A próxima sessão realiza-se no dia 19 de Maio, pelas 21 horas, no bar do C.A.R. (Círculo de Arte e Recreio), em Guimarães.

 

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